Encontro de Gideões em Camboriú pretende evitar discurso de viés político

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34ª edição do Congresso dos Gideões Missionários
34ª edição do Congresso dos Gideões Missionários

A organização da 34ª edição do Congresso dos Gideões Missionários, que começou neste sábado em Camboriú, orientou aos pastores que vão falar ao público que evitem tratar de política durante as pregações. Com o país em ebulição, a preocupação em politizar o encontro se justifica: o público, no ano passado, chegou à marca de 150 mil pessoas – e a organização já teve problemas com a Justiça Eleitoral com a citação do nome de candidatos no púlpito.

A recomendada isenção não será tarefa fácil, já que a pregação mais esperada (e que atrair maior número de fiéis) é a do polêmico pastor-deputado Marco Feliciano (PSC), membro da bancada evangélica do Congresso, que tem participação confirmada para o próximo domingo (1º de maio).

Porta-voz da parcela mais conservadora do eleitorado brasileiro, o grupo tem ganhado força tratando de pautas que não são bem digeridas pelas minorias, como o aborto e os direitos dos homossexuais.

Esta será a 19ª participação de Feliciano no Congresso. O pastor-político costuma ser ovacionado e disputado para abraços e selfies pelos fiéis – sucesso absoluto de público. Mas suas aparições no Congresso dos Gideões já causaram polêmicas, como o vídeo que circula na internet e o mostra reclamando que um fiel deixou o cartão de crédito para prestar doações, mas não deixou a senha. Em sua página oficial, o deputado afirmou que foi tudo uma brincadeira.

Como o encontro reúne não apenas os membros da Assembleia de Deus (organizadora), mas também de outras vertentes evangélicas, a coordenação prefere não falar sobre posições políticas. O evento é o maior congresso missionário evangélico no país, feito para angariar recursos para as obras sociais dos Gideões em todo o mundo.

Economia aquecida

O ponto alto do Congresso de Gideões ocorre a partir de quinta-feira, quando chega a maioria dos fiéis. Em Balneário Camboriú, 90% dos leitos nos hotéis já estão ocupados – e, em Camboriú, já era difícil encontrar imóveis para alugar esta semana. O governo do Estado é apoiador do evento, com investimento de R$ 400 mil para a infraestrutura. O governador Raimundo Colombo (PSD) é esperado para subir ao palco na quinta-feira.

A reunião de evangélicos vindos de todo o país movimenta ainda os equipamentos turísticos da região, já que os cultos mais disputados ocorrem à noite. O Beto Carrero World, em Penha, e o Parque Unipraias, em Balneário Camboriú, são os destinos favoritos dos fiéis.