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Série gravada para o Youtube gera cartilha que orienta o combate à violência doméstica

Material lançado pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti fornece informações e orientações para as vítimas no enfrentamento a violência doméstica

Uma brasileira é assassinada a cada 9 horas e a cada 2 minutos mulheres sofrem agressão no País. Para sensibilizar a sociedade e auxiliar a própria vítima a perceber que está em uma relação violenta e abusiva, o Instituto Camila e Luiz Taliberti, uma iniciativa coletiva de amigos e familiares de Camila e Luiz Taliberti, vítimas do rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, lança a “Taliberta – Cartilha de combate à violência doméstica”.

De fácil acesso e leitura, o material reúne as principais orientações e depoimentos originados nos debates da Série Taliberta de Violência Doméstica, transmitida em 2020 nos canais digitais do Instituto, depois que os índices de feminicídio cresceram 22% por causa do isolamento social imposto pela pandemia. “A iniciativa é uma das formas de manter o legado da minha filha, Camila Taliberti, advogada e ativista no tema, que junto com meu filho, Luiz Taliberti, foram mortos no rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019”, explica a presidente do ICLT, Helena Taliberti.

VIOLÊNCIA NÃO É SÓ AGRESSÃO FÍSICA
Importante destacar que agressão física é considerada um dos tipos de violência doméstica. Xingamentos e chantagens, agressão psicológica e até o afastamento imposto da família e dos amigos são outras formas de abuso, previstas na Lei Maria da Penha. Muitas vezes esses abusos são ignorados, podendo levar a uma situação fora de controle.

“Toda violência contra a mulher acontece dentro de um relacionamento abusivo. Esse tipo de relacionamento tem três características básicas: controle excessivo, isolamento e ciúmes exacerbado”, explica Nathalie Malveiro, Promotora de Justiça.

Segundo Helena Taliberti, muitas pessoas não relatam a situação que sofrem, pois tem medo, em alguns casos se sentem envergonhadas e com receio de serem julgadas. “Por isso, o nosso objetivo é ajudar quem passa ou já passou por esta situação, além de divulgar a rede de apoio e os canais de proteção e atendimento”.

APOIO ÀS VÍTIMAS
Outro destaque da “Taliberta – Cartilha de combate à violência doméstica” é a importância do acolhimento que pode preceder a denúncia. Quem percebe sinais de violência contra a mulher, precisa dar espaço para que ela possa se abrir, ser paciente e acolhedor. A aceitação de que se é vítima de violência, seja física, verbal ou outro tipo, é um processo complexo e muitas vezes a vítima não denuncia seu agressor. Por isso, é importante se colocar presente, com respeito e empatia, e auxiliá-la a procurar os canais adequados quando estiver pronta.

A advogada Gabriella Nicaretta, vítima de violência doméstica, declara que a denúncia só acontece quando a mulher está pronta para fazê-la. “Eu não tinha preparação psicológica para passar por uma delegacia ou denúncia no primeiro momento. A melhor coisa a fazer para apoiar é conversar com a vítima, sem julgamentos, e se colocar à disposição para ajudar no momento que a mulher estiver preparada”.

PREVENÇÃO E EDUCAÇÃO
A prevenção também é apontada como uma das melhores maneiras de combater o crime. Isso significa apontar os comportamentos inadequados, permitindo que as meninas cresçam cientes do que caracteriza um abuso e sabendo como evitá-lo.

“É preciso falar desse tema com jovens e adolescentes, para que elas consigam identificar um relacionamento abusivo e descobrir a força da mulher para lidar com essa situação, evitando esses padrões ao longo de toda a vida. Esse debate também permite que as mulheres possam questionar papéis vistos como tradicionais pela sociedade e, assim, levar essa reflexão para além do individual”, ressalta Marilia Taufic, jornalista e idealizadora do App PenhaS.

“Uma das coisas que mais me chamaram atenção durante a Série Taliberta é a responsabilidade que nós mães temos na educação de nossos filhos homens, quando foi enfatizado a importância de ensinarmos aos meninos a ouvir e respeitar o não. Ou seja, não é não!”, diz Helena Taliberti.

SERVIÇO
Nas páginas finais da “Taliberta – Cartilha de combate à violência doméstica”, é possível conferir uma lista de serviços, incluindo diversos canais para denúncia, além de locais para apoio jurídico, psicológico, profissional e capacitação, telefones úteis e indicação de leitura.

ONDE ACESSAR O CONTEÚDO
• Cartilha Taliberta – Cartilha de combate à violência doméstica:
http://somossementes.org.br/wp-content/uploads/2021/03/CARTILHA-TALIBERTA.pdf

• Série Taliberta/YouTube:
http://www.youtube.com/playlist?list=PLMJpl7oh0VwzOrkRxnYx0owTuv-TGXUqn

• Série Taliberta versão podcast/Spotify:
http://open.spotify.com/show/36m0ckD39yrlCTGz1WU8Ue

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