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Um novo olhar para o papel da mulher na propriedade rural

Franciele Roman Gato, de 35 anos, é filha de produtores rurais e saiu da propriedade com 14 anos para estudar. Formou-se em Medicina Veterinária e trabalhou por 13 anos no Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (ICASA), mas há cerca de um ano resolveu voltar à atividade RURAL, dessa vez junto com o esposo na propriedade que era dos sogros, na Linha Vista Alegre, em Quilombo. Atualmente, Franciele conduz a produção de perus sozinha. O esposo, que também é médico veterinário, continuou no emprego e auxilia no que é necessário, mas o comando está nas mãos da produtora.

Para aprimorar os conhecimentos e ampliar ainda mais a produção que chega a quase 50 mil perus alojados por lote, Franciele participou do Programa Especial Mulheres em Campo promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) em parceria com a Brasil Foods (BRF) e o Sindicato Rural de Chapecó, no município de Coronel Freitas. Foram cinco encontros com a participação de 21 produtoras rurais, a maior turma do Estado durante o ano.

“O programa veio para contribuir, principalmente, com a gestão da propriedade. Hoje conseguimos planejar e organizar melhor os investimentos que faremos e identificar onde e como podemos melhorar. Além disso, o Mulheres em Campo nos faz refletir sobre o nosso papel dentro da propriedade. Percebemos o quanto somos importantes e como precisamos nos valorizar como mulher e profissional. Foi sensacional”, disse Franciele.

A prestadora de serviço em instrutoria do Senar/SC, Rosa Marina Seghetto, responsável por trabalhar com a turma, salientou o avanço das produtoras do primeiro ao quinto encontro. “Muito mais do que uma mudança na forma como elas enxergam suas propriedades, foi possível identificar uma mudança no olhar sobre elas mesmas. Cada uma é fundamental dentro da propriedade, da família e também na comunidade em que está inserida e deve se lembrar do seu valor todos os dias. O Mulheres em Campo proporcionou mudanças de pensamentos e atitudes que, sem dúvidas, refletirão positivamente no trabalho e na vida de todas”.

De acordo com o supervisor do Senar/SC na região Oeste, Helder Jorge Barbosa, o que motiva o trabalho é ver o engajamento das produtoras rurais em busca de melhorar o dia a dia dentro de suas propriedades. “São sementes plantadas que, com certeza, no futuro trarão bons frutos. Não existe recompensa maior do que ver no semblante de cada uma dessas mulheres o sorriso e o brilho no olhar de gratidão. Um pequeno gesto pode transformar vidas”, reforçou.

A gerente de agropecuária da BRF Chapecó, Maria Goretti Buzanello, acompanhou o encerramento e agradeceu a parceria com o Sistema Faesc/Senar, observando que essa foi a quarta turma do programa desenvolvida com a BRF. “Percebemos uma transformação nas propriedades em que essas mulheres atuam e isso é o que nos move. Incentivamos para que mais turmas sejam feitas, inclusive temos algumas agendadas já para o primeiro semestre de 2019. Acreditamos que o conhecimento é a base de um bom trabalho e é isso que o programa nos proporcionou: conhecimento de qualidade para que juntos possamos crescer cada dia mais”.

SUCESSO DE PARTICIPAÇÃO

O Programa Especial Mulheres em Campo desenvolveu em 2018 70 turmas e capacitou 991 mulheres do meio rural em diferentes regiões de Santa Catarina. O programa conta com 12 prestadoras de serviço em instrutoria que disseminam a metodologia do Mulheres em Campo no Estado, são elas: Angela Fortes Munaro, Bernadete Luiza Bortolotto, Fabiola Weinhardt Jazar,  Ivania Begnini Zingler, Lucia Mabel Saavedra Bousses, Marinei Sabadin Balbinot, Renata dos Santos, Rosa Marina Seghetto, Schirle Fabiana do Nascimento Correa, Simone Fatima Croda Bazzo, Tanile Cordazzo Scariot e Terezinha Aparecida Fagundes.

“Nosso principal objetivo foi desenvolver as habilidades femininas capacitando-as na gestão de negócios agropecuários”, destacou o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, que demonstrou satisfação com os resultados alcançados pelo programa durante o ano. O superintendente informou que a expectativa é de que em 2019 ocorram mais 70 turmas.

Os encontros, de acordo com a coordenadora estadual do programa, Nayana Setubal Bittencourt, reuniram as mulheres em cinco módulos presenciais de oito horas cada totalizando 40 horas de atividades. “Elas tiveram acesso a conteúdos teóricos e práticos com o objetivo de demonstrar as inúmeras possibilidades de empreendedorismo no campo. É uma iniciativa que faz com que as mulheres pensem além e vejam o quão inovadoras podem ser dentro de suas propriedades”.

O programa é dividido em cinco módulos pensados de acordo com situações vivenciadas no dia a dia das mulheres no campo. “Dessa maneira objetivamos estimular cada vez mais as mulheres a acreditar em si e tornarem-se grandes líderes rurais”, complementou Zanluchi.

De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, as mulheres são pilares seja na família, no trabalho ou na sociedade, desempenhando papéis de destaque e contribuindo para o crescimento e qualificação das propriedades rurais catarinenses. “É nítida a diferença do sucesso das propriedades que contam com o apoio das mulheres. Elas são detalhistas, organizadas, cuidadosas e fazem tudo sempre com muito amor. Acredito que esse seja o segredo: o amor. Afinal, ao lado de um grande homem sempre existe uma grande mulher e as produtoras rurais de Santa Catarina têm dado exemplo de empreendedorismo, garra e determinação, contribuindo para a excelente imagem que o agronegócio de nosso Estado tem perante todo o País”, finalizou Pedrozo.