Começa a última semana de Reality sobre a Água no Paraguai e Argentina

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Começa a última semana de Reality sobre a Água no Paraguai e Argentina

O Reality Nascentes da Crise chega à quinta etapa com as experiências do jornalista e ambientalista Diego Gazola ao percorrer o entorno do rio Paraguai e do rio Paraná, entre Asunción no Paraguai e Córdoba na Argentina, onde concentram as tempestades mais severas do Planeta, segundo a revista científica Nature. Nesta região os sistemas de chuvas estão correlacionados com o fluxo de vapor que desce desde a Amazônia em paralelo à Cordilheira dos Andes e às frentes frias e secas que se deslocam desde o sul do continente.

Iniciado no último dia 2, o Reality começou em Asunción, capital do Paraguai que é cortada pelo rio Paraguai que nasce na região da transição entre a Amazônia e o Pantanal no Estado do Mato Grosso. Na sequência, foi apresentado as cidades fronteiriças de Encarnación no Paraguai e Posadas na Argentina, ambas às margens do rio Paraná. Posteriormente, se percorreu a cidade de Corrientes, onde o rio Paraguai se une com o rio Paraná, realizando uma última grande curva rumo ao sul do continente. No momento ainda serão explorados as peculiaridades em Santa Fé, Paraná, Córdoba, Capilla del Monte e Rosário.

A produção é toda utilizando um celular para as transmissões em tempo real pelas mídias sociais Instagram e Facebook pela hashtag #nascentesdacrise. Posteriormente será editado um documentário que sintetiza toda a experiência.

“Acredito na linha de pesquisa de alguns cientistas que abordam a influência da Amazônia na regulação do clima de grande parte da América do Sul. Também compactuo com a linha de pensamento que associa um gradativo e acelerado processo de desertificação em partes da região sudeste e centro-oeste do Brasil em função do desmatamento e do avanço da fronteira agropecuária sobre a Amazônia”, explica Gazola.

As principais fontes de pesquisas que balizaram a condução do projeto são as dos cientistas Antônio Donato Nobre (INPE) do Brasil, do chileno Pablo A. García Chevesiche (Universidad de Chile) e de Jhan Carlo Espinoza (IGP) do Peru.

Os filmes das etapas anteriores estão disponíveis no site www.nascentesdacrise.com.br

Sobre os Documentários Anteriores 

A primeira etapa produzida entre o Acre e o Peru em setembro de 2014 é balizada no conteúdo do relatório ‘O Futuro Climático da Amazônia’ do cientista Antonio Donato Nobre (INPE). Segundo o estudo, a umidade amazônica “faz uma curva” ao se chocar com a Cordilheira dos Andes naquela região e desce o continente banhando a parte centro-sul da América do Sul, principalmente durante o verão hemisférico. O documentário apresenta três rotas que conectam os Andes à Amazônia: a estrada de terra pelo Parque Nacional del Manu, a rodovia asfaltada Interoceânica e o rio Urubamba que conecta Machu Picchu à Grande Floresta.

O filme (15’44”) está disponível no site, ou diretamente no link: https://youtu.be/l3dSeqklEZY

Já a segunda etapa abordou a foz do rio da Prata na fronteira entre o Uruguai e a Argentina e foi produzida em dezembro de 2016. Ali encontra a segunda maior desembocadura de água doce da América do Sul. A região recebe praticamente a totalidade das águas “exportadas” pela Amazônia por meio dos “rios voadores” e são drenadas através de centenas de rios do centro-sul da América do Sul. O documentário apresenta ainda duas das dezenas de comunidades que vivem em ilhas no meio do rio da Prata, assim como a visita a Dolores, cidade que foi devastada pelo mais impactante tornado já registrado no continente.

O filme (14’40”) está disponível no site, ou diretamente no link: https://youtu.be/Em0H13MAdtQ

Na terceira etapa, em abril de 2017, foi pesquisado o deserto mais árido do planeta. Localizado no norte do Chile, o Atacama está na mesma latitude média da cidade de São Paulo e de praticamente toda a região sudeste do Brasil. Nessa mesma latitude, na altura do Trópico de Capricórnio, estão outros grandes desertos do Hemisfério Sul como o Central da Austrália na Oceania e o Kalahari que compreende parte da Namíbia, Botswana, África do Sul e Angola na África. O documentário expõe reflexões sobre o gradativo desmatamento, e o desconhecido e quase silencioso processo de desertificação do centro-sul da América do Sul.

O filme (8’34”) está disponível no site, ou diretamente no link: https://youtu.be/GDt8-GQsvoE

Já a quarta etapa foi dividida em duas fases no território da Bolívia.

O primeiro documentário aborda o entorno do Parque Nacional Amboró na região da Amazônia mais ao sul da América do Sul. O local está na mesma latitude média de Brasília, e é conhecido como o cotovelo dos Andes. O filme aborda ainda Potosí, onde está localizado o Cerro Rico, de onde no período colonial foi retirado pelos espanhóis, a maior parte da prata do continente. Sincronicamente a cidade está na mesma latitude média do trecho entre Ouro Preto e Diamantina, palco da exploração do ouro no Brasil colonial português e onde recentemente ocorreram as tragédias de Brumadinho e Mariana. Além disto, o viajante explora locais onde brotam as nascentes amazônicas mais ao sul do continente: Sucre, Cochabamba, Villa Tunari e Buena Vista. Em alguns pontos, a diferença de altitude no caminho dos Andes para a Amazônia chega a 3.500 metros em poucos quilômetros percorridos.
O filme (16’11”) está disponível abaixo ou diretamente por meio do link: https://youtu.be/kAtbhFcdlI8

A segunda fase da quarta etapa foi produzida em janeiro de 2018 também na Bolívia. O Reality partiu novamente de Santa Cruz de la Sierra, porém seguindo em direção ao norte, para a região amazônica do Beni. Ali se encontram centenas de lagoas artificiais enigmáticas conhecidas como de Moxos, que teriam sido arquitetadas há milhares de anos. Os rios Mamoré e Beni estão entre os principais que formam o rio Madeira, o corpo d’água que em Rondônia, por meio dos períodos de cheia, refletem a umidade que deixa de migrar para o centro-sul da América do Sul, potencializando as secas cada vez mais severas na região. Para essa produção, a expedição cruzou a considerada mais intransitável entre estradas bolivianas. O documentário expõe também a transição entre a Amazônia e os Andes na região de La Paz e do Lago Titicaca, passando pelo berço de uma das civilizações mais antigas do continente, a de Tihuanaco. Esse filme ainda se encontra em edição.

Sobre o Viajante e Produtor

Durante os últimos 13 anos, Diego Gazola viajou para todos os Estados brasileiros realizando pesquisas de conteúdo para guias de turismo da editora Empresa das Artes e para a Muda de Ideia.

Em 2014 foi apresentador do Reality Expedición RCN Brasil 2014 para a TV colombiana RCN Televisión. Durante a expedição, que seguiu de Bogotá até o Rio de Janeiro, teve a oportunidade de compartilhar as diversas curiosidades deste roteiro de quase dez mil quilômetros rumo à Copa do Mundo. Naquela ocasião cruzou por terra pela primeira vez uma transição entre os Andes e a Amazônia.

Participou das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas: na Dinamarca (COP15), no México (COP16), África do Sul (COP17), Brasil (Rio+20) e França (COP21). Durante o Fórum Mundial da Água em Brasília realizou uma palestra sobre o projeto Nascentes da Crise.